Festa de fim de ano: RH precisa conciliar custo e inclusão
Levantamentos apontam mais festas, orçamento travado e preferência por benefícios flexíveis, o que pede planejamento do RH.

As empresas querem voltar a fazer festa de fim de ano, mas com o caixa curto. Cabe ao RH escolher formato e custo sem perder de vista o que os funcionários valorizam. Esse é o quadro que a Mundo RH montou a partir de pesquisas de mercado.
Segundo a Ticket, marca da Edenred, que ouviu 3.722 empregados e 172 profissionais de RH, a intenção de promover confraternizações cresceu 30% em 2025. Na mesma consulta, 71,6% das empresas disseram que manteriam o orçamento congelado.
O que os trabalhadores preferem receber
Ainda na pesquisa da Ticket, 73% dos trabalhadores disseram preferir a cesta digital à física. Um levantamento da Pluxee com 1.241 consumidores mostrou que 49% não recebem presente de fim de ano da empresa. Entre os que puderam escolher, 57% queriam saldo extra no cartão de alimentação ou refeição e 23% optariam por um gift card.
As amostras e as metodologias são diferentes, mas os dois estudos indicam o mesmo caminho: autonomia e utilidade prática pesam na escolha.
O peso das despesas na época também entra na conta. Pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box, feita com 1.028 pessoas, mostrou que 54% pretendiam gastar menos nas comemorações de 2025. Além disso, 73% disseram estar preocupados com os gastos e 68% já deixaram de ir a festas por estarem endividados. O levantamento trata de comemorações em geral, não só das promovidas por empresas, mas lembra que participar pode custar caro para o funcionário.
Festa não substitui o reconhecimento do ano todo
A confraternização fecha um ciclo e aproxima as equipes, mas não compensa a falta de reconhecimento no dia a dia. Pesquisa da Michael Page citada pela Mundo RH mostrou que 54,5% dos profissionais consultados não se sentiam reconhecidos ou valorizados pela empresa.
Um estudo sobre experiência do funcionário, com mais de 1 milhão de respostas, trouxe resultado parecido. Os itens com menor favorabilidade foram promoções e reconhecimentos considerados justos, abertura para escuta e remuneração total. Como pontos positivos apareceram o impacto do trabalho e o suporte do time.
Os benefícios de fim de ano, como créditos extras, cartões flexíveis, cestas e experiências, podem complementar a estratégia. A reportagem ressalta, porém, que o valor percebido depende de o benefício atender ao que o funcionário precisa e que nenhum presente substitui remuneração adequada, boa liderança e boas condições de trabalho.
Inclusão e segurança entram no planejamento
Horário, local, transporte, acessibilidade, opções de comida e a possibilidade de levar acompanhantes influenciam quem vai à festa. Consultar a equipe antes de fechar o formato evita que a decisão reflita só a preferência dos organizadores.
Eventos promovidos ou pagos pela empresa também podem ter repercussão trabalhista, conforme as circunstâncias de cada caso. A CLT prevê hipóteses de justa causa, como mau procedimento, mas a aplicação depende da análise dos fatos.
A Lei nº 14.457/2022 determina que empresas com Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) adotem medidas contra o assédio sexual e outras formas de violência. Entre elas estão regras de conduta, procedimentos para receber denúncias e ações de orientação. Para a festa, isso significa comunicar as normas de respeito, manter canais de acolhimento acessíveis e definir de antemão como a empresa responderá a relatos.
Como o RH pode decidir
Antes de contratar espaço, buffet ou atrações, a matéria sugere um roteiro simples:
- consultar os colaboradores sobre formato, horário, alimentação e transporte;
- comparar as alternativas dentro do orçamento e ver se atendem a equipes e localidades diferentes;
- definir o propósito do encontro e planejar opções sem álcool;
- comunicar as regras de conduta e organizar a volta para casa;
- aplicar uma pesquisa breve depois, para medir adesão, satisfação e pontos de melhoria.
Os levantamentos não indicam um modelo único de confraternização que sirva a todas as empresas. Mostram apenas que celebrar segue valorizado por organizações e trabalhadores, enquanto a restrição financeira e as necessidades individuais exigem escolhas mais cuidadosas.
Perguntas frequentes
As empresas pretendem fazer festa de fim de ano?
Segundo a pesquisa da Ticket, a intenção de promover confraternizações cresceu 30% em 2025. No mesmo levantamento, 71,6% das empresas disseram que manteriam o orçamento congelado.
O que os trabalhadores preferem receber no fim de ano?
Na pesquisa da Pluxee, 57% dos que puderam escolher preferiam saldo extra no cartão de alimentação ou refeição e 23% um gift card. Na da Ticket, 73% preferem a cesta digital à física.
A empresa precisa se preocupar com assédio na confraternização?
Sim. A Lei nº 14.457/2022 determina que empresas com Cipa adotem medidas de prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência. A matéria recomenda comunicar as normas de respeito, manter canais de acolhimento e definir como a empresa responderá a relatos.