Na era da IA, o diferencial do líder é o julgamento, diz autor
Davidson Lütkenhaus, autor de livro sobre inovação, afirma que a IA acelera decisões, mas não distingue sozinha o acerto do erro.

Se todas as empresas têm acesso a ferramentas parecidas de inteligência artificial (IA), o que as diferencia é a capacidade de decidir quando confiar nelas, quando questioná-las e quando contrariá-las. Essa é a tese de Davidson Lütkenhaus, executivo com mais de 25 anos em cargos globais de liderança em inovação, em empresas como Diageo, L'Oréal, Dow e P&G, segundo reportagem da Época Negócios. Para ele, "só o bom julgamento permite distinguir uma decisão melhor de um erro cometido mais rapidamente".
O tema está no livro "Além da Transformação – O Novo ROI: Retorno sobre a Inovação", lançado em 24 de outubro de 2026 em São Paulo, junto com a edição em inglês. A obra parte de um dado da McKinsey, segundo o qual mais de 70% das transformações corporativas em larga escala não atingem os objetivos. Lütkenhaus diz que o problema raramente é falta de ideias, e sim a forma como a empresa é organizada para convertê-las em crescimento.
No dia a dia, o autor defende que o líder trate a resposta da IA como insumo, não como veredito: questionar as premissas, saber em que etapa usar a ferramenta e cruzar o resultado com contexto e experiência humana. Ele afirma que esse julgamento pode ser treinado. Já tarefas padronizadas, como produzir análises, resumir informações e montar apresentações, tendem a perder valor relativo.
O livro também descreve dois riscos. Na "Armadilha da Eficiência", a empresa usa a IA para fazer mais rápido e mais barato o que já fazia, sem avaliar se deveria mudar o modelo. No "Teatro da Transformação", a empresa anuncia mudanças, mas mantém orçamento, estrutura de decisão e incentivos. A reportagem traz ainda os critérios que o autor sugere para identificar cada caso e o que ele diz sobre diversidade e inclusão; o texto completo está no link acima.