Verdemar adota escala alternada em setores no lugar da 6x1
Segundo o superintendente de RH, a rede aumentou o quadro em 15% a 20% e começou pelos setores com mais rotatividade e dificuldade de contratação.

O Verdemar, rede de supermercados, substituiu a escala 6x1 por um revezamento de folgas em parte dos seus setores. Para sustentar a mudança, aumentou o quadro de funcionários em cerca de 15% a 20%, segundo Leandro Pinho, superintendente de RH da empresa. Ele deu a informação em entrevista publicada pelo blog da Sólides.
A entrevista parte de um dado do Mapa do RH e DP 2026: para 25% dos profissionais brasileiros, a dificuldade de equilibrar vida pessoal e trabalho é motivo para pedir demissão. Pinho preside também o Conselho de RH da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas).
Como funciona a escala
O funcionário trabalha 15 dias e folga 15 dias por mês. O revezamento é de dois dias de trabalho e dois de folga, seguidos de três de trabalho e três de folga. Pinho diz que não é o regime 12x36.
Com esse desenho, as folgas seguidas passam pela sexta, pelo sábado e pelo domingo ao menos uma vez por mês. São os dias de maior movimento no varejo. Na 6x1, afirma o executivo, o trabalhador folga um domingo a cada dois ou três e tem a maior parte das folgas no meio da semana.
O modelo se inspira na mineração, em referência à AngloGold. A empresa fechou um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com o sindicato dos funcionários para poder aplicá-lo. Segundo Pinho, a mudança nasceu de pedidos dos próprios funcionários e da discussão sobre o projeto de lei que tramita sobre o tema. A entrevista não detalha esse projeto.
Custo, limites e resultados
O Verdemar começou pelos setores com maior rotatividade e mais dificuldade de contratação. Ainda não estendeu a escala a toda a empresa por causa do investimento. Áreas que exigem mão de obra técnica, como padaria, ficaram de fora nesta etapa.
Pinho afirma que projeto que reduz produtividade não segue adiante. Ele cita melhora em absenteísmo, atração de talentos e sentimento de pertencimento. A entrevista não traz números desses indicadores nem da rotatividade antes e depois da mudança.
Liderança, dados e desempenho
Para o executivo, o clima de trabalho é responsabilidade compartilhada entre RH, liderança e cada indivíduo. O Verdemar mantém uma Escola de Formação de Liderança e uma equipe de RH que atua dentro das lojas para apoiar líderes e atender funcionários.
Sobre a taxa de desligamentos de 52% em 2026, citada pela Sólides, Pinho defende partir dos dados de quem saiu. Ele propõe mapear a jornada do colaborador, da integração ao desligamento, e analisar os motivos por setor e por área. Segundo ele, a meta não deve ser "reter", e sim criar um ambiente em que as pessoas queiram ficar.
Na medição de desempenho, o RH deve primeiro entender o que cada função entrega e definir com os líderes o que é boa performance. A empresa aplicou isso aos operadores de caixa. Pinho diz que um indicador mal desenhado pode desmotivar a equipe e recomenda: "dedique mais tempo conhecendo o trabalho de campo do que criando fórmulas teóricas no escritório".
Inclusão além do treinamento
Questionado sobre treinamentos de diversidade e inclusão, Pinho disse que eles não se sustentam sem políticas reais. O Verdemar reúne suas ações no programa Inclusão como Valor, com frentes para pessoas com deficiência (além da cota legal), pessoas com transtornos psiquiátricos, aposentados, estrangeiros e quem busca o primeiro emprego.
Segundo ele, a formação interna também responde à falta de profissionais prontos no mercado. A empresa recruta pelo potencial e treina em casa, com cursos técnicos, comportamentais e de carreira.
Perguntas frequentes
Como é a escala adotada pelo Verdemar?
O funcionário trabalha 15 dias e folga 15 dias por mês, alternando dois dias de trabalho e dois de folga com três de trabalho e três de folga. Segundo Leandro Pinho, não é o regime 12x36.
Quanto a empresa precisou contratar?
Segundo o superintendente de RH, o quadro de funcionários aumentou em cerca de 15% a 20%.
A escala vale para toda a rede?
Não. Ela começou pelos setores com maior rotatividade e mais dificuldade de contratação. Áreas técnicas, como padaria, ficaram de fora nesta etapa.
A mudança exigiu acordo com o sindicato?
Sim. Segundo Pinho, a empresa firmou um Acordo Coletivo de Trabalho com o sindicato dos funcionários para aplicar a nova escala.