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Cultura de 'energia masculina' tem custo para empresas

Artigo de opinião da Fast Company reúne dados dos EUA sobre acidentes, fraude e rotatividade e propõe que empresas meçam o custo da cultura de dominância.

Balança de latão sobre superfície clara, com moedas empilhadas pesando de um lado e um capacete branco do outro.
Imagem gerada por IA

Um artigo de opinião publicado pela Fast Company sustenta que culturas de trabalho baseadas em dominância, agressividade e risco geram uma conta que os indicadores habituais não mostram. O texto reúne dados dos Estados Unidos sobre segurança, fraude, assédio e rotatividade e recomenda que as empresas passem a medir esses custos.

O gancho é uma declaração de Mark Zuckerberg. Em janeiro de 2025, ele disse ao podcaster Joe Rogan que o mundo corporativo precisava de mais "energia masculina" e de uma cultura que celebrasse "um pouco mais a agressividade". Para o artigo, esse ideal segue presente nas empresas americanas, onde ostentação, demonstração de força e tolerância ao risco são premiadas, enquanto cooperação e cautela passam por fraqueza.

Quem lidera e quem sustenta o trabalho

Segundo o relatório "Women in the Workplace", da McKinsey e da LeanIn.org, mulheres comandam 56 empresas da lista Fortune 500 (ranking das maiores companhias dos EUA), um recorde que equivale a 11,2% do total. Elas ocupam 29% dos cargos de alta direção, a mesma fatia de 2024.

O mercado de trabalho, diz o texto, vai em outra direção. Em 2025, educação privada e saúde, setores em que mulheres ocupam 77% dos postos, criaram cerca de 800 mil vagas, enquanto todos os outros juntos perderam cerca de 500 mil, de acordo com uma análise de dados do Bureau of Labor Statistics (BLS, o órgão de estatísticas do trabalho dos EUA). O artigo observa que muitas dessas vagas pagam mal e que o trabalho de cuidado costuma ser tratado como de "baixa produtividade" justamente por isso, ainda que sustente a produtividade dos demais.

Onde o artigo aponta os custos

O primeiro é a segurança. Em 2024, homens responderam por 4.657 das 5.070 mortes por acidente de trabalho nos EUA, cerca de 92%, segundo o BLS. A diferença se explica em parte pelo tipo de ocupação, como construção e transporte, mas o texto também cita a norma de ignorar o medo, pular precauções e não pedir ajuda. Em um estudo sobre duas plataformas de petróleo no Golfo do México, o dono decidiu priorizar segurança e aprendizado contínuo. Os trabalhadores passaram a relatar erros e problemas, e a taxa de acidentes da empresa caiu 84%.

O segundo é o desrespeito às regras. No estudo global de 2024 da Association of Certified Fraud Examiners sobre fraude ocupacional, homens cometeram 75% dos casos, com perda mediana de US$ 158 mil por caso, contra US$ 100 mil entre mulheres. O artigo acrescenta que ver quem burla regras ser premiado desmotiva os demais e corrói a confiança na empresa.

O terceiro é o que um estudo da Harvard Kennedy School, de 2018, chamou de "concurso de masculinidade": quatro normas implícitas que mandam não mostrar fraqueza, exibir resistência, pôr o trabalho em primeiro lugar e tratar colegas como rivais. Em locais com pontuação alta nesses critérios, os pesquisadores encontraram mais liderança tóxica, menos segurança psicológica, mais assédio e bullying, mais burnout e mais intenção de sair. Os custos aparecem em acordos judiciais, honorários e indenizações, e depois, de forma mais cara, em absenteísmo, adoecimento e turnover.

O "talento estrela" e a conta que ninguém vê

Para o texto, as métricas de produtividade olham para o indivíduo e ignoram o efeito do comportamento dele sobre quem está ao redor. O dano de um profissional tóxico, mesmo com números individuais ótimos, é absorvido por colegas, gestores e pelo RH.

O artigo lembra o professor Robert Sutton, da Universidade Stanford, que defendeu calcular esse custo em livro de quase 20 anos atrás. Uma empresa fez a conta para um vendedor de destaque: somados assistentes que pediram demissão, treinamento para controle da raiva, custos jurídicos e horas extras impostas aos outros, ele custou US$ 160 mil em um único ano. Pesquisadores da Harvard Business School, com dados de cerca de 50 mil trabalhadores, estimaram que evitar a contratação de um profissional tóxico vale US$ 12.489 para a empresa, mais que o dobro do que traz alguém entre os 1% de maior desempenho.

O que o texto sugere medir

Os dados são americanos e o artigo não traz números do Brasil, de modo que servem mais como referência de método do que como diagnóstico local. A recomendação é acompanhar, por equipe, a rotatividade e os afastamentos por doença, além de denúncias de assédio, incidentes de segurança e o desempenho coletivo ao lado dos resultados individuais.

Segundo o texto, quando os afastamentos sobem em um departamento, os dados já dizem muito sobre quem o comanda. O artigo conclui que homens têm tanto a ganhar quanto mulheres com essa contabilidade.

Esta matéria foi escrita pela IAra, a inteligência artificial da noticIAs RH, a partir de Fast Company, Work Life. Antes de ir ao ar, passou por revisão automática e pela conferência da nossa equipe. Como trabalhamos

Perguntas frequentes

O que o artigo da Fast Company defende?

Que culturas de trabalho baseadas em dominância, agressividade e risco geram custos ocultos para as empresas, como acidentes, fraudes, assédio, burnout e rotatividade, e que esses custos devem ser medidos.

Quais indicadores o texto recomenda acompanhar?

Rotatividade e afastamentos por doença por equipe, denúncias de assédio, incidentes de segurança e desempenho da equipe junto com os resultados individuais.

Os dados valem para o Brasil?

Os números citados vêm dos Estados Unidos e o artigo não traz dados brasileiros. Servem como referência de método, não como retrato das empresas daqui.

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