IA generativa no crédito: onde ela decide e onde passa a bola ao analista
Em artigo de opinião, executiva da FICO defende que a IA atue em casos simples e dentro de limites pré-aprovados, sem substituir modelos de risco nem o julgamento humano.

Segundo a autora do artigo, a IA generativa pode decidir sozinha apenas quando, completada a informação que faltava, a resposta for simples e inequívoca dentro de critérios que a própria instituição já definiu. Se o caso envolver ambiguidade, exceção de política ou risco relevante, a decisão continua com o analista humano. É a posição de Andrea Moraes, líder global de consultoria de negócios da FICO, em coluna publicada pela Época Negócios.
O ponto de partida é separar as ferramentas. Os modelos de risco de crédito não aprovam nem recusam: eles geram uma previsão e um ranking de risco. Quem transforma isso em aprovação, recusa ou envio para análise manual é o sistema de decisão, com políticas e regras de negócio. Para a autora, a IA generativa não deve ocupar o lugar de nenhum dos dois, e confundir essas funções aumenta riscos operacionais, regulatórios e reputacionais.
O espaço que ela enxerga para a IA generativa é a passagem entre o sistema e o analista. Se o caso foi para análise manual só porque faltava um dado, a IA pode buscar e organizar essa informação. Se a decisão ficar clara dentro das regras da instituição, pode executá-la. Se continuar exigindo julgamento, ela resume o contexto e entrega o caso pronto ao analista. O efeito esperado é menos casos chegando ao humano por motivos que a tecnologia resolve.
Para a área de risco e compliance, o recado central é que essa camada precisa seguir os mesmos princípios do restante do processo: rastreabilidade de cada passo, explicabilidade sobre por que a decisão foi tomada ou escalada, e limites claros, definidos de antemão, sobre quando a IA pode agir sozinha. Segundo o texto, nenhuma decisão automatizada nessa camada deveria ficar fora de auditoria, de revisão periódica por amostragem ou da possibilidade de contestação pelo cliente.
A autora também afirma que governança deixou de ser só conformidade e virou parte da estratégia de adoção. Isso inclui definir onde a IA atua sozinha, onde apenas prepara o caso e quais decisões ficam exclusivamente com pessoas, além de como os resultados serão monitorados. As instituições, diz ela, precisam ainda demonstrar que seus processos não reproduzem vieses que limitem o acesso ao crédito de certos grupos.
Há ainda um alerta sobre dados. Informações incompletas, desatualizadas ou inconsistentes comprometem qualquer modelo, e a IA generativa não elimina a necessidade de bases confiáveis, monitoramento contínuo e modelos analíticos robustos. Na visão da autora, o caminho mais consistente é combinar modelos preditivos e IA generativa, e não trocar uma tecnologia pela outra.
Vale lembrar que se trata de um artigo de opinião, assinado por uma executiva de uma empresa que atua no setor de decisão de crédito. As posições são da autora, e o texto original não apresenta dados ou casos concretos que as comprovem.
Leia o artigo original na Época Negócios: https://epocanegocios.globo.com/colunas/coluna/2026/10/ate-onde-a-ia-pode-decidir-quem-recebe-credito.ghtml
Perguntas frequentes
A IA generativa pode aprovar ou recusar crédito sozinha?
Na visão da autora do artigo, apenas quando a decisão for simples e inequívoca dentro de critérios já definidos pela instituição e com limites pré-aprovados. Casos ambíguos ou de risco relevante seguem com o analista humano.
A IA generativa substitui os modelos de risco de crédito?
Não. Segundo o texto, os modelos geram a previsão e o ranking de risco, e o sistema de decisão aplica as regras de negócio. A IA generativa atua como apoio entre o sistema e o analista.
Que controles a autora considera necessários?
Rastreabilidade de cada passo, explicabilidade da decisão, auditoria, revisão periódica por amostragem e possibilidade de contestação pelo cliente.
Quem assina o artigo?
Andrea Moraes, líder global de consultoria de negócios da FICO. O texto é uma coluna de opinião na Época Negócios.