EA demite 400 e fecha o estúdio BioWare, de Mass Effect
Corte de 3% da força de trabalho é a primeira mudança grande após a compra de US$ 55 bilhões que deixou a empresa com dívida.

A Electronic Arts (EA) vai reduzir em 3% a força de trabalho global, cerca de 400 vagas, e fechar o BioWare, estúdio de 31 anos responsável pela série Mass Effect. Os dados são da Fast Company, publicação americana de negócios.
É a primeira mudança de grande porte na empresa desde que ela passou a ter capital fechado. A EA, sediada em Redwood City, na Califórnia, é conhecida por Battlefield, The Sims e Madden.
A dívida por trás dos cortes
A saída da bolsa ocorreu em setembro, numa compra alavancada de US$ 55 bilhões, ou seja, financiada em boa parte com dívida. Os compradores foram o fundo soberano da Arábia Saudita (Public Investment Fund), a gestora Silver Lake e a Affinity Partners, de Jared Kushner.
O negócio colocou cerca de US$ 18 bilhões em dívidas no balanço da EA, o que exige pagamentos anuais elevados de juros. Segundo a Fast Company, os dirigentes disseram a investidores que pretendiam cortar até US$ 700 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento e em custos operacionais para bancar esses pagamentos.
Três prioridades estratégicas
Em e-mail aos funcionários, o diretor de estúdios, Cam Weber, e o diretor de operações, David Tinson, afirmaram que a companhia será reorientada em torno de três prioridades. A primeira é concentrar esforços no que já dá resultado, o que, nas palavras deles, significa "dizer não a algumas coisas que nos apaixonam". A segunda é crescer em mercados pouco atendidos, como a Ásia. A terceira é criar formas inteiramente novas de os fãs se engajarem com esportes.
A EA também disse que pretende "investir pesado" na franquia Apex Legends e que juntará os estúdios Respawn e DICE em um projeto ainda não anunciado. A imprensa especializada aponta que seria Star Wars: Battlefront 3.
Um setor em ajuste desde 2022
A indústria de games perde empregos em larga escala desde 2022. A Fast Company relaciona o movimento à correção do excesso de expansão do período da covid-19 e ao aumento acelerado dos custos de produção, entre outros fatores.
Segundo o jornalista Mike Straw, houve uma estimativa de 12.144 demissões em 161 empresas de games só em 2026. Uma pesquisa da Game Developers Conference (GDC) divulgada em junho indica que um terço dos profissionais de jogos eletrônicos nos Estados Unidos foi demitido nos últimos dois anos.
Novos cortes podem vir. Relatos recentes apontam que o Xbox, da Microsoft, teria três rodadas de demissões nos próximos meses. Em julho, o presidente da divisão disse que a empresa estava "reiniciando o Xbox" e cortaria 3.200 funcionários ao longo do ano fiscal de 2027. Em março, em sessão interna de perguntas e respostas, o presidente da Microsoft, Satya Nadella, havia dito que a companhia apostava no setor de jogos, em meio a rumores de que o Xbox seria encerrado.
As demissões em série e as condições de trabalho muitas vezes duras alimentaram pedidos de sindicalização no setor. Um deles é a campanha recente da Communications Workers of America (CWA), sindicato dos Estados Unidos.
Os números e as medidas citados são dos Estados Unidos e da operação global da EA. A fonte não detalha quantas vagas serão cortadas em cada país.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas a EA vai demitir?
Cerca de 400, o equivalente a 3% da força de trabalho global da empresa, segundo a Fast Company.
Qual estúdio da EA será fechado?
O BioWare, de 31 anos, criador da série Mass Effect.
Por que a EA está cortando custos?
A compra da empresa por US$ 55 bilhões, concluída em setembro, deixou cerca de US$ 18 bilhões em dívidas. Os dirigentes disseram a investidores que planejavam cortar até US$ 700 milhões por ano em custos para financiar os juros.
Quais são as prioridades da EA daqui para a frente?
Concentrar-se no que já funciona, crescer em mercados pouco atendidos, como a Ásia, e criar novas formas de engajar os fãs em esportes. A empresa também vai investir em Apex Legends.