CEOs dizem que decidir sob pressão exige olhar para pessoas
Em painel do congresso do IBGC, executivos e uma psiquiatra trataram de demissões, confiança com o conselho e saúde mental de quem lidera.

Dois CEOs e uma médica psiquiatra discutiram como tomar decisões difíceis sem perder as pessoas de vista, em painel realizado em 7 de outubro de 2026, em São Paulo, no 27º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). O debate, chamado "Liderança sob pressão", foi relatado pelo Valor Econômico e teve a participação de Ciro Possobom, da Volkswagen do Brasil, Miguel Setas, da Motiva, e Tais Moriyama.
Setas contou que sete das dez pessoas da diretoria que encontrou ao chegar à Motiva saíram da empresa nos três anos e meio seguintes. Segundo ele, foi doloroso, mas necessário para o futuro da companhia. Possobom afirmou que a pressão mais difícil de suportar é a interna, porque envolve decisões como reestruturações e fechamento de turno em uma empresa que, quando ele assumiu, tinha 13 mil empregados. Para ele, cabe ao líder segurar parte da pressão que vem de cima e não repassá-la à equipe.
Moriyama disse que o maior desgaste para a saúde mental dos executivos não vem da carga de trabalho, e sim da distância entre as decisões que tomam e os próprios valores. "Não é tanto o que a gente faz. É o porquê", resumiu. Setas e Possobom defenderam ainda levar problemas ao conselho cedo, antes que virem crise. Nas palavras de Possobom: "Eu não tenho problema com problemas, eu tenho problema se eu não sei do problema".
A reportagem original traz também as quatro dimensões do bem-estar apresentadas pela psiquiatra e o que os executivos fazem fora do trabalho para preservá-las.