Confiança entre colegas de trabalho cai a mínima histórica
Pesquisa da Edelman com cerca de 34 mil pessoas em 28 países aponta queda também na confiança em gestores diretos e em CEOs.

A confiança dos trabalhadores nos colegas caiu para 73%, o menor nível desde que a pesquisa "Trust at Work" (confiança no trabalho) começou, segundo a edição mais recente do levantamento da empresa de relações públicas Edelman, noticiada pela Fast Company. Em agosto de 2024, o índice era de 82%.
Gestores e CEOs também perdem confiança
A queda não se limita aos pares. A confiança no gestor direto passou de 79% para 72%, e a confiança nos CEOs foi de 70% para 66%. Nos dois casos, também são os piores resultados da série.
A pesquisa ouviu quase 34 mil pessoas em 28 países. O texto da Fast Company não detalha os resultados por país.
O peso da mudança, do medo de demissão e da política
Para a Edelman, a mudança constante pode explicar boa parte do quadro. Mais de três quartos dos entrevistados disseram ter vivido ao menos uma "transformação" no último ano, como a adoção de inteligência artificial ou uma virada de estratégia. Cerca de um terço relatou experiência negativa.
O medo de perder o emprego é outro fator citado. Três quartos dos trabalhadores disseram temer o desemprego por causa de tarifas, automação, transferência de vagas para outros países e falta de treinamento.
A fricção política também aparece. Caiu a parcela dos que se sentem à vontade para conversar com colegas de opinião diferente sobre temas sociais: em discriminação, a queda foi de 9 pontos, para 56%; em mudança climática, de 6 pontos, para 65%.
A geração Z e a confiança na liderança
A Fast Company lembra que estudos recentes apontam na mesma direção, sem identificar os autores. Segundo eles, só 13% da geração Z acreditam que se pode confiar na maioria das pessoas, e 47% já deixaram um emprego por falta de confiança na liderança. Os jovens dessa geração também têm 16 vezes mais chance do que os da geração X de dizer que não confiam nos colegas.
O que o CEO da Edelman indica como saída
Richard Edelman, CEO da empresa, escreve que as empresas vinham sendo a instituição mais confiável, mas que a transformação é o ponto de virada. Se ela der errado, diz ele, voltam as velhas suspeitas sobre o mundo corporativo, como a de que o lucro vale mais que as pessoas.
Na avaliação dele, conduzir as mudanças é a chave para reconstruir a confiança. Edelman chama isso de "o principal desafio de liderança empresarial do nosso momento", que pode "abrir uma cunha" na organização ou acelerar seu crescimento.
Perguntas frequentes
Qual é o nível de confiança entre colegas na pesquisa da Edelman?
A confiança dos trabalhadores nos colegas está em 73%, o menor valor da série histórica. Em agosto de 2024, era de 82%.
A confiança em gestores e CEOs também caiu?
Sim. A confiança no gestor direto passou de 79% para 72%, e a confiança nos CEOs, de 70% para 66%. Ambos são mínimos da série.
O que a Edelman aponta como causa da queda?
A pesquisa sugere que as mudanças no trabalho, como a adoção de IA e as viradas de estratégia, são um dos fatores. Também pesam o medo de perder o emprego e a menor disposição para conversar sobre temas sociais com quem pensa diferente.