Seth Godin diz que confundir situação com problema trava
No livro The Knot, o autor separa o que precisa ser aceito do que tem solução e aponta o que prende: juízes imaginários, métricas alheias e custos passados.

Muita gente fica parada porque trata como problema o que é situação, e como situação o que tem saída. É o argumento central de Seth Godin em The Knot: Problems Can Be Solved ("O nó: problemas têm solução", em tradução livre), resumido em cinco ideias pelo próprio autor e publicado pela Fast Company.
Godin é autor best-seller e empreendedor, com mais de 20 livros, entre eles The Dip, Purple Cow e This Is Marketing. O texto saiu originalmente na revista do Next Big Idea Club e foi republicado com permissão.
Situação se aceita, problema se resolve
Godin recorre a Mel Robbins para definir situação: aquilo sobre o qual nada se pode fazer e que deve ser aceito. A gravidade é uma situação; chegar à Lua é um problema. A situação vira alicerce do trabalho, e o problema, por definição, tem solução.
Segundo o autor, as pessoas travam por olhar o problema do jeito errado. Ou desistem cedo demais, ou gastam tempo enorme brigando com algo que não muda. Ele admite que a saída pode ter preço e consequências que ninguém queira pagar, mas diz que ela existe.
"Mas" paralisa, "e" aponta direção
Godin compara a paralisia a um nó de cordas que se cruzam. Para desatá-lo, é preciso saber se os desejos em jogo são excludentes ("mas") ou caminham juntos ("e"). "Quero correr a maratona, mas não quero me cansar" trava. "Quero correr a maratona e aceito me cansar" empurra para a frente.
O exemplo é o pintor Jackson Pollock. Depois de três anos em que tudo o que pintava vendia, ele sentiu, segundo a viúva, Lee Krasner, que havia esgotado aquele caminho. Mudou estilo e escala e sumiu por meses. Na mostra seguinte, não vendeu um quadro. Godin diz que Pollock queria ao mesmo tempo ser inovador e ser aceito de imediato, e que isso não se faz junto: é uma coisa de cada vez.
Os nós não estão na sala
Para o autor, o que prende está em outro tempo ou em outro lugar. Ele cita Steve Ballmer, que descartou os primeiros iPhones: preso ao passado que construíra e a um futuro com o qual contava, teria confundido o tempo.
Há ainda os juízes fantasmas, que nem sabem que a pessoa existe, e as métricas emprestadas, importantes para outros e não para quem as persegue. "Escolhemos o que é sucesso", escreve Godin. A identidade imaginada, quem achamos que deveríamos ter nos tornado, é a quarta armadilha.
Desenhar com propósito e ignorar custos afundados
Godin pede que o trabalho tenha propósito explícito: para que serve, para quem serve, e se resolver o problema ajuda a chegar lá. Ele chama de empatia prática a capacidade de dizer "não vejo o que você vê, não preciso do que você precisa, e tudo bem". Quem aceita que os outros não devem nada ao seu projeto enxerga o problema real.
A quinta ideia é ignorar custos já gastos, que ele descreve como presentes do eu do passado que não precisam ser aceitos. Quem estudou cinco anos de odontologia e, dez anos depois, detesta a profissão pode perdoar quem se formou e recomeçar. O exemplo de recomeço é Kelly Johnson, que construiu o primeiro jato dos Estados Unidos: alugou uma tenda de circo, reuniu 23 engenheiros em vez de 200 e entregou o jato 37 dias antes do prazo e abaixo do orçamento.
Nem todos podem escolher
O autor faz uma ressalva: muitas pessoas não têm o privilégio nem a autonomia de escolher, e enfrentam paredes reais, não imaginadas. Para quem tem a chance de liderar e melhorar as coisas, diz ele, esses são os problemas que valem a pena.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre situação e problema para Seth Godin?
Situação é algo que não se pode mudar e deve ser aceito, como a gravidade. Problema é o que tem solução, como chegar à Lua, ainda que a saída tenha preço e consequências.
O que são custos afundados no livro The Knot?
São o esforço, a reputação e as escolhas acumuladas no passado. Godin os descreve como presentes do eu anterior que não precisam ser aceitos quando o mundo muda.
O que Godin chama de empatia prática?
É a habilidade de reconhecer que o outro não vê, não precisa nem quer o mesmo que nós, e que isso é aceitável. Com isso, diz o autor, fica mais fácil enxergar o problema real.