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Relação com o chefe pesa mais na satisfação que o home office

Estudo com quase 165 mil trabalhadores nos EUA indica que o ganho de satisfação do trabalho remoto some quando se considera o ambiente de trabalho.

Maquete isométrica de uma casa e um escritório ligados por passarela, com duas cadeiras frente a frente numa mesa.
Imagem gerada por IA

Trabalhar em casa não torna, por si só, o funcionário mais satisfeito. Em um estudo com quase 165 mil trabalhadores dos Estados Unidos, a vantagem dos que atuam total ou majoritariamente em regime remoto desapareceu quando os pesquisadores levaram em conta fatores como reconhecimento, remuneração e a relação com o gestor. O trabalho foi descrito pelo pesquisador Christos Makridis em artigo do The Conversation, republicado pela Fast Company.

O que o estudo analisou

Makridis e o professor Jason Schloetzer examinaram respostas de funcionários americanos entre 2020 e 2023, reunidas pela base Payscale. As pesquisas perguntavam se o trabalhador se sentia valorizado, se considerava o salário justo e transparente, se recebia comunicação útil, se tinha chances de se desenvolver e se mantinha boa relação com o chefe direto.

Com essas variáveis no cálculo, só quem trabalhava remotamente de vez em quando mostrou mais satisfação, e a diferença foi modesta. Dados do Gallup Workplace Panel, que acompanhou os mesmos trabalhadores ao longo do tempo, reforçaram o resultado.

A relação com o gestor foi medida pela concordância com a frase "tenho uma ótima relação com meu gestor direto", em escala de um a cinco. Notas 4 e 5 contaram como favoráveis. Uma boa relação ficou associada a mais satisfação em todos os formatos de trabalho, mas com efeito maior entre os presenciais. Segundo o autor, uma explicação possível é que o convívio dá mais chance de aproveitar um gestor que orienta e abre caminhos, enquanto a distância pode aliviar quando a relação é ruim.

Satisfação, estresse e burnout não são a mesma coisa

O artigo trata satisfação com o emprego, estresse e burnout como medidas separadas. Segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, do Gallup, 41% dos trabalhadores totalmente remotos relataram estresse substancial no dia anterior. Entre os híbridos, o índice foi de 46%, o mesmo dos presenciais cujo trabalho poderia ser feito à distância.

O exemplo citado é o dos médicos. Em pesquisa da Associação Médica Americana de 2024, cerca de três quartos disseram estar satisfeitos com o trabalho, e quase metade relatou muito estresse por causa dele. O resumo publicado não informa quantos disseram as duas coisas.

Outra pesquisa do Gallup, com quase 7.500 trabalhadores americanos em tempo integral, associou o burnout a tratamento injusto, carga excessiva, expectativas pouco claras, comunicação e apoio ruins dos gestores e prazos irreais. Para o autor, o local de trabalho pode aliviar algumas dessas pressões e criar outras, mas nenhum formato resolve sozinho sobrecarga ou falta de clareza.

O custo social do trabalho à distância

Em outra pesquisa de Makridis, a fatia do tempo livre passada sozinho subiu de cerca de 25% para 40% entre 2017 e 2024, entre jovens em ocupações que podem ser feitas remotamente. Estar só não leva necessariamente à solidão, ressalva o texto, mas flexibilidade de agenda não garante que amigos, família ou colegas estarão disponíveis.

Um estudo dos economistas Natalia Emanuel, Emma Harrington e Amanda Pallais, com quase 600 mil pessoas, comparou a saúde mental antes e depois da pandemia (sem 2020 e 2021) em empregos que podiam e que não podiam ser remotos. Os trabalhadores remotos que moram sozinhos tiveram o pior desempenho. A expansão do trabalho remoto foi associada a mais isolamento e sofrimento mental.

O que o autor sugere às empresas

Para quem pensa em trazer a equipe de volta ao escritório, Makridis recomenda primeiro identificar o que as pessoas ganham ao estar juntas e organizar o tempo presencial em torno disso. Equipes que colaboram muito precisam de horários em comum, e os recém-chegados, de acesso a quem possa ensinar. Cabe aos gestores dar retorno útil e tratar da carga de trabalho em qualquer formato.

O autor cita Jim Harter, pesquisador do Gallup, para quem esse retorno deve virar hábito semanal: "Essas conversas não precisam ser longas; de 15 a 30 minutos, feitas com constância, bastam".

Os dados são de trabalhadores americanos, e o material não traz números sobre o Brasil.

Esta matéria foi escrita pela IAra, a inteligência artificial da noticIAs RH, a partir de Fast Company, Work Life. Antes de ir ao ar, passou por revisão automática e pela conferência da nossa equipe. Como trabalhamos

Perguntas frequentes

O trabalho remoto deixa o funcionário mais satisfeito?

Não necessariamente. No estudo, a vantagem dos remotos desapareceu quando se consideraram fatores como reconhecimento, salário e relação com o gestor. Só quem trabalhava remotamente às vezes ficou um pouco mais satisfeito.

Como o estudo mediu a relação com o chefe?

Pela concordância do funcionário com a frase "tenho uma ótima relação com meu gestor direto", em escala de um a cinco. Notas 4 e 5 foram contadas como favoráveis. A medida reflete a opinião do trabalhador, não uma lista de habilidades do gestor.

Satisfação com o trabalho significa ausência de burnout?

Não. O artigo trata satisfação, estresse e burnout como medidas distintas. Entre médicos americanos, por exemplo, cerca de três quartos disseram estar satisfeitos e quase metade relatou muito estresse por causa do trabalho.

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