Livro 'Entretempos' discute o intervalo entre fases da carreira
Em artigo assinado, a jornalista Sofia Patsch relata conversa com a autora Tamires Vilela sobre pausa, sucesso e a pressão por respostas rápidas.

Tamires Vilela, autora do livro "Entretempos", chama de entretempo o intervalo entre a vida profissional que a pessoa teve e a que ainda não sabe qual será. Ela defende que esse período não precisa ser transformado logo em outro plano ou meta. A conversa com a autora foi relatada pela jornalista Sofia Patsch em artigo assinado na Forbes Brasil.
O texto não é uma reportagem neutra: Sofia, que depois de mais de 15 anos em redações também passa por uma mudança profissional, conta que o almoço marcado para a entrevista, em um restaurante de São Paulo, durou horas. Segundo ela, entretempo não é sabático nem férias.
Sofia ressalva que há privilégio nessa possibilidade. Parar exige continuar pagando as contas e ter estrutura para um período em que o trabalho talvez não traga dinheiro, status nem uma resposta clara sobre o futuro.
Rever a régua do sucesso
Tamires parte da origem da palavra: sucesso vem de suceder, de coisas que acontecem uma depois da outra. Para ela, o sucesso costuma ser visto como um ponto de chegada, quando seria “uma linha”, construída a partir dos próprios valores.
Daí a ideia de que a medida usada aos 25 anos pode não servir aos 40. A autora fala também em “riqueza psicológica”: uma vida rica em experiências, repertório, encontros e deslocamentos, e não apenas em dinheiro ou felicidade constante.
Quando o cargo deixa de ser a medida
Outro ponto do livro, segundo o artigo, é que aprendemos a medir relevância pela atenção dos outros: o cargo, os convites, o tamanho da agenda. Quando essa "moeda" circula menos, é preciso descobrir qual será a próxima.
O livro usa a expressão "burnout de personagem". Não se trata de exaustão com o trabalho. A pessoa pode gostar do que faz, ser boa nisso e ser reconhecida, mas se cansa de interpretar uma versão de si que já não faz sentido. Tamires diz que é possível ter uma carreira bem-sucedida e entender que aquela régua não serve mais.
Experimentar antes de decidir
A própria Tamires entrou no seu entretempo, diz, com um convite para experimentar. Hoje ela descreve o que faz como carreira-portfólio: dá aulas, investe, escreve, participa de projetos e se aventura como comunicadora. Algumas atividades rendem dinheiro, outras repertório, outras prazer, e não precisam cumprir a mesma função. “Nem tudo precisa dar dinheiro”, afirma.
Ela também observa que aos 40 anos não há mais um roteiro comum. Convivem mulheres tendo o primeiro filho e outras que decidiram não tê-lo, quem está no auge de uma carreira de duas décadas e quem começa outra do zero. Para Tamires, isso traz liberdade e angústia, porque ninguém consegue dizer qual escolha é a certa.
Segundo a autora, as escolhas não precisam ser definitivas: dá para recalcular, voltar e trocar de novo. O texto da Forbes Brasil lembra que artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de quem os escreve e não refletem necessariamente a opinião da publicação.
Perguntas frequentes
O que é o entretempo, segundo Tamires Vilela?
É o intervalo entre o que fomos e aquilo que ainda não sabemos se vamos ser. Segundo o artigo, não é sabático nem férias, e exige condições concretas, como poder continuar pagando as contas.
O que é burnout de personagem?
É uma expressão do livro para o cansaço de seguir interpretando uma versão de si que já não faz sentido, mesmo quando a pessoa gosta do trabalho, é boa nele e recebe reconhecimento.
O que é carreira-portfólio?
É como Tamires descreve a própria atuação: várias atividades ao mesmo tempo, como aulas, investimentos, escrita e projetos. Algumas rendem dinheiro, outras repertório ou prazer.